No dia primeiro de janeiro de 2019, logo após ser empossado governador do Acre, Gladson Cameli deu posse a parte do secretariado de governo. Entre os novos gestores, uma jornalista de Sena Madureira era alçada ao posto de Secretária de Comunicação. A posse de Silvânia Pinheiro no cargo não era novidade. Desde a campanha, já se especulava que a comunicadora seria convidada para a função em razão da sua relação de amizade e confiança, já que trabalhava com Gladson há mais de uma década como assessora desde o primeiro mandato de Cameli como deputado federal no ano de 2006.
Outro ponto a favor de Silvânia era a experiência jornalística. Com mais de 25 anos no jornalismo acreano, passou pelas redações dos principais jornais do Acre, além de ser considerado de bom trânsito com a classe jornalística e os meios de comunicação.
Na última terça-feira, 27, Silvânia deixou o cargo após dois anos e três meses na função. Substituída pelo jornalista Rutembergue Crispim, Pinheiro continua no governo e ainda mais perto de Gladson, já que foi nomeada diretora na Casa Civil e vai ser uma espécie de assessora especial de Cameli.
Em prosa com o ac24horas, a jornalista conta que gerenciar a relação da imprensa com o poder público, que nem sempre é fácil, foi seu maior aprendizado e também seu maior legado. “Acho que meu maior legado nesse trabalho foi conseguir gerenciar a relação entre a imprensa e as instituições públicas. Busquei sempre discernir o que é assessoria de imprensa com comunicação pública, separar o que é público, e o que é privado. Tudo isso foi um aprendizado muito grande”, afirma.
A agora ex-secretária diz se orgulhar de ter guardado o respeito nas relações com as pessoas e colegas da comunicação. “O jornalismo tem passado, presente e futuro e respeitar a história de colegas que construíram a comunicação pública no Acre com a chegada das novas mídias foi sempre uma busca no cargo. O que sempre guardei é que as pessoas são mais importantes que os veículos de comunicação”, diz Silvânia.
Uma outra marca de sua gestão, de acordo com Silvânia, foi respeitar a liberdade de expressão. “Agradeço a Deus que tive o apoio do governador que sempre primou pela liberdade de expressão e me deu autonomia para que eu atuasse como jornalista e respeitasse os meus colegas”, diz.
Silvânia iniciou no jornalismo aos 17 anos como repórter do jornal O Rio Branco. Apesar da vida corrida de jornalista, sua família se acostumou com a divisão entre trabalho e as funções de mãe de dois filhos e esposa. Ela revela que as coisas pioraram muito depois que entrou no governo. “Eu e meu esposo tínhamos três meses de namoro quando entrei no jornal O Rio Branco. Sempre busquei conciliar o meu tempo, mas depois que entrei no governo as coisas ficaram mais difíceis por conta da pressão do cargo. Não foi fácil. As coisas se complicam porque você percebe que pessoas que tinham simpatia por você começam a te olhar atravessado. Parece que o teu sucesso te faz responsável pelo insucesso do outro. Infelizmente, muita gente pensa assim”.
À reportagem, Silvânia faz uma confissão que parece não ser novidade para quem convive de perto com a jornalista: deixar de ser secretária foi um alívio. “Eu nunca tirei meus pés do chão, mas sempre gostei do que é simples. Estou super feliz e quero seguir minha vida do jeito que sempre foi, sem essa coisa de cargo de secretária. As pessoas enxergam apenas o status e o cargo, não quem a gente é como ser humano. E, eu, não quero isso pra mim. Quero ser lembrada como a Silvânia e não como a secretária”, encerra.